Escautismo

Escautismo

O Hashomer Hatzair tem uma forte ligação com a ideologia escautica, por isso, os representantes latinoamericanos do movimento decidiram converter o mais expressivo grupo juvenil da história, criado por Baden-Powell em 1907, em um dos pilares de nossa base ideológica.

O escautismo tornou-se um estilo de vida para seus praticantes e, assim como nós, vêm trazendo os jovens para o caminho da autorrealização através do altruísmo, da consciência e vivência ecológica, identificação grupal e do ativismo social.

Além disso, outras duas grandes ideias ressonantes podem ser identificadas na fronteira entre as duas tnuot. A primeira é a forte crença no poder do jovem como poder moderador e força motriz no processo de seu meio e comunidade. Posteriormente a essa, vem a concordância metodológica, o crédito que o movimento “scout” deposita na educação complementar não formal, tendo a prática, a experiência e a vivência como principais mestres e sua interface com o pupilo mediada pelo madrich. Dessa segunda, principalmente, os shomrim se apropriaram e fazem, até hoje, um excelente uso.

Novamente, uma justificativa que nos sensibiliza à manutenção desse molde como pilar shômrico é a convergência histórica dos dois grupos. O evento da fusão dos movimentos galegos Hashomer e Tzrei Tzion, que fundou nossa tnuá em 1913, tinha como um de seus integrantes (o primeiro) uma aliança jovem escautica. Por isso, diz-se que há, desde a criação, uma vertente do grupo extremamente ligada aos preceitos de Baden-Powell.

Todavia, o tempo vem mostrando que existem inúmeras incompatibilidades dentro do atual fundamento ideológico do Hashomer Hatzair e um dos principais deles são gerados pelos confrontos entre a base escautica e outros conceitos humanistas da tnuá. Esses são elucidados pela avaliação do perfil estigmatizado do escoteiro e redigido através de seus dez mandamentos.

Os mias incongruentes desses conceitos são o fato de os escoteiros se manifestaram (ou deixarem de) como um grupo apolítico, diferente dos componentes shômricos, que se apresentam como um grupo de esquerda. Mais além, a meritocracia é um conceito transversal em toda a educação escautica e vai de encontro com o socialismo que acreditamos.

Esse confrontro direto se estende as relações dentro do grupo, que variam de hierárquicas e verticalizadas para igualitárias e intercríticas, e fora dele também, visto que as atividades dos escoteiros eram, em sua fundação, restritas aos homens e até hoje aluns grupos guardam cicatrizes desse sexismo ao glorificar a virilidade e a forma masculina. Dentre as prerrogativas mais concervadoras escoteiras está a indescriminada busca por Deus, outra questão duvidosa que pode ir de encontro com o humanismo do atual Hashomer Hatzair.

Devido a isso, novas discussões têm surgido em resposta a críticas externas que associam a imagem estigmatizada do escoteiro ao shomêr e nos acusam de hipocrisia baseados nisso. Daí deixamos algumas reflexões: Podemos carregar conosco os bônus do escautismo recusando seus ônus incrínsecos? Podemos manipular essa ideologia ao nosso interresse, criando um práticas e conceitos como o “escautismo shômrico”? Vale então manter esse pacote ideológico dentro de nossos pilares ou podemos substituí-lo por conceitos mais gerais como ecologia e kvutzatiut?

Vaadat Chinuch 2015

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