Ideologia Shômrica

Ideologia Shômrica

 

A base de nossa ideologia é descrita na forma de 4 conceitos básicos, que foram consagrados em 2008 durante a Veidá Holit e são ratificados e adaptados com as práticas do movimento e suas demandas, sem que sejam ameaçados os princípios que orientam a ética shômrica: esses são conhecidos como os 4 pilares e são eles, o socialismo, o escotismo “shômrico” (apenas é considerado um pilar nos kenim latino-americanos), o sionismo de esquerda e o judaísmo humanista.

O socialismo é, historicamente, uma das maiores controvérsias dos fundamentos de nosso movimento, pois durante o período no qual foi implantado e esteve dominante no cenário político, a desumanização e o autoritarismo do governo soviético fez com que, após a abertura do país, o Hashomer Hatzair retirasse seu apoio ideológico ao estado. Isso é a prova de que o socialismo, dentro de nosso movimento, tem seu valor majoritariamente moral, prezando pela igualdade de direitos e oportunidades entre cidadãos de classes sociais, etnias, gêneros e orientações políticas das mais divergentes, mesmo que vá de encontro com as tendências político-econômicas do modelo aplicado. O socialismo é um grande orientador, até hoje, das ações e posicionamentos político e humanos do Hashomer, influenciando todas as instâncias de nossa base ideológica, desde o sionismo até o ativismo social.

O movimento, de maneira generalizada, tem sua crença socialista mais próxima do que hoje se considera o socialismo utópico, defendido por filósofos políticos como Robert Owens e Henri de Saint-Simons, pois como uma instituição assumidamente pacifista, acreditamos que, principalmente sobre o regime democrático, o acordo social entre as classes constituintes da sociedade surge através do diálogo e da exerção do poder e influência política das massas.

A nossa descrição própria do socialismo passa também por um conjuto de críticas ao modelo econômico vigente. Acreditamos que, mesmo com participação estatal, o capitalismo ao qual estamos sujeitos tem consequências desumanizantes/generalizantes e anti-igualitárias, tendendo inclusive à improdutividade, à restrição da liberdade plena do indivíduo e à degradação da qualidade de vida e/ou do bem estar psicossocial do indivíduo, por isso também cremos no modelo socialista como alternativa personalizada aos problemas causados pelo padrão de governo hoje difundido.

O escautismo “shômrico” é assim denominado por alguns devido às divergências existentes entre as crenças da instituição escautica e shômrica, principalmente no que faz relação à religião, política e/ou apolítica, meritocracia e igualdade entre gêneros. Todavia, nosso movimento recebeu grande influência histórica de grupos de tendência escautica, inclusive, um dos grupos que participou da formação de nosso movimento, o Hashomer, tinha o escotismo como essência.

O Hashomer Hatzair, hoje, traz consigo grandes heranças escauticas, dentre elas, o grande apreço pela natureza e organismos vivos, em geral, inclusive a preservação de sua própria vida e integridade física e mental o espírito grupal que, dentro de nosso movimento, denominamos base kvutzati, valorizando a união e cooperação entre indivíduos, o pacifismo pregado anteriormente pelos escoteiros, o crescimento gradual do indivíduo pelo ciclo cursado dentro da instituição, e a prática ativa, informal e horizontal, pela qual educamos. Por isso, muitos dos líderes contemporâneos do Hashomer Hatzair optaram por manter esse conceito dentro da estrutura de nossa base ideológica.

O sionismo de esquerda (ou sionismo socialista) foi uma proposta traçada por Ber Borochov, durante a ascensão da ideologia sionista, no fim do século XIX e fortemente apoiada por chaverim de nosso movimento, o que incitou o chalutzianismo por parte de madrichim e chanichim, que criaram centenas de kibutzim no Estado de Israel.

Essa metodologia sionista acredita que a criação, colonização e o desenvolvimento do Estado judaico deve dar-se através de uma gestão de esquerda, que estimule a formação de pequenas comunidades colaborativas economicamente e cuja gerência se dá também por preceitos socialistas. Isso foi, de fato, posto em prática com as kibutzim agrícolas, urbanos, moshavim e comunas que se difundiram e continuam íntegros até o presente, embora tenham passado por inúmeras reformas ideológicas e pela estruturação de grandes partidos políticos por grupos de shomrim que buscavam representatividade, como setores do Mapai, do atual Meretz e de outras militâncias da esquerda

Hoje, esse conceito regula a relação do movimento com a política israelense, lutando por um lugar significativo dentro do parlamento para representação da esquerda, apoiando o diálogo e possível acordo territorial em prol da paz, além de políticas de acolhimento de refugiados e imigrantes e relações econômicas cujo estado se põe ativo nos investimentos sobre as demandas sociais básicas.

Além da atuação protagonista do Estado de Israel, o Hashomer Hatzair crê na validade e, mais além, na imprescindibilidade da diáspora judaica na proliferação do ideário sionista e na disseminação da palavra de aceitação e pacífica convivência entre os povos, de acordo com a ética shômrica e, dessa maneira, pressionando as instâncias do próprio país para intervir nas ações políticas, segundo a sua crença no que se trata do melhor para o país.

O Judaismo Humanista, no qual acredita o movimento Hashomer Hatzair se baseia na crença de que a palavra judaica é aquela que carrega um conjunto de história, sentimento comunitário, cultura e religião próprias. Essa linha judaica crê que o intermediário da relação divina com a humanidade é o próprio homem e, por isso, esse é responsável por seus hábitos, ações e tradições em geral. O livro e os rituais santos, assim como os chaguim levam consigo uma essência que induz o desenvolvimento das relações intra e interpessoais, de maneira a tornar a religião um grande mediador do crescimento humano.

Uma vez que o homem e sua comunidade são postos sobre o centro de sua própria existência, esses têm simultaneamente o direito e o dever de criar sua própria história e suas tradições, como forma de resguardar o conhecimento do passado e trazer à modernidade experiências vividas e desenvolvidas pela humanidade, evitando o esquecimento dos acertos e a redundância dos erros de nossos antecessores.

O Judaismo humanista é, acima de tudo, meio de manutenção da integridade da comunidade e família e de suas relações internas de amizade e parceria, com identificação a partir da cultura e história em comum. Isso é compatível com o objetivo global da religião, o bem estar consigo, com o próximo, com o mundo e com a sua própria imagem e definição de Deus.

Todos esses preceitos ideológicos guiam nossa educação em prol de um progresso técnico da sociedade e se comunicam através de definições e valores para formar a moral de nossos chaverim, no entanto é importante lembrar que o posicionamento particular do madrich e institucional do movimento não são levados em consideração no planejamento do conteúdo e de seus questionamentos, pelo contrário, acreditamos que uma educação branca, ou seja, mais imparcial segundo as possibilidades do homem é o ideal para a formação de indivíduos críticos, analíticos do meio e criativos, trazendo sua bagagem ao movimento e reformando, constantemente a sua ideologia, segundo o perfil das lideranças atuais, conservando portanto as bases éticas do núcleo essencial de nossa ideologia.

 

Vaadat Chinuch – 2015

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